O Património Cultural e a Descentralização

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O Património Cultural e a Descentralização

1. Enquadramento
O aparelho jurídico-institucional que enquadra a gestão do Património Cultural em Portugal é uma construção coletiva, inspirado nos modelos das democracias ocidentais antecedentes, que remonta principalmente aos anos 80 e 90 do século XX. Esse modelo, que viveu o seu auge de funcionamento entre o final dos anos 90 e o final da primeira década do século XXI, foi-se implantando de forma progressiva tendo produzido extraordinários frutos ao nível do conhecimento, salvaguarda, promoção e divulgação patrimoniais. Neste processo, o Estado foi concretizando a sua efetiva função de regulação, normalização, defesa e promoção dos valores coletivos públicos.
A partir de 2007, no âmbito das sucessivas vagas de reestruturação orgânica dos serviços do Estado, este modelo de gestão sofreu profundas alterações, acabando por ser truncado e delapidado. É importante referir que estas alterações nunca decorreram de uma avaliação negativa do seu funcionamento ou resultados; nem tão-pouco de qualquer diagnóstico efetuado sobre o Património Cultural Português. Pelo contrário, as mudanças implementadas relacionam-se sempre com razões e fatores absolutamente externos: controle financeiro, racionalização de recursos e orgânicas, reorganização e redistribuição de “poderes”, compensações e equilíbrios políticos. Assim, caso sejam implementadas, as propostas legislativas governamentais destinadas a incorporar competências da área da Cultura nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e Autarquias poderão concretizar e aprofundar uma rotura substancial nas políticas culturais que vêm sendo adotadas desde 1980/1985 (criação da primeira instituição dedicada ao Património Cultural e elaboração da Lei de Bases: 13/85) em respeito pelas convenções internacionais e boas práticas.

2. Questões em aberto
- Poderão as competências de gestão e fiscalização relativas ao património arqueológico, licenciamento e gestão do património arquitetónico classificado ou em vias de classificação, bem como de alguns museus ser integrados em grandes organismos sem especialização técnica e científica?
- Como garantir a independência técnica em organismos iminentemente políticos, sobretudo numa altura em que se pondera a eleição do presidente das CCDR por um colégio de autarcas?
- Como compatibilizar no mesmo organismo por um lado as competências de promoção, execução e apreciação de projetos e, por outro, o licenciamento e fiscalização, dois planos de atuação que, de facto, carecem de absoluta separação e independência a bem da transparência dos procedimentos e da salvaguarda do interesse público?
- Com é possível que Portugal se transforme no único país da Europa a perder instituições especializadas na área do Património Cultural, mesmo que só em termos regionais?
- Como se garante, com as presentes propostas de descentralização, a implementação de uma política nacional concertada com o objetivo de proteger e valorizar o Património Nacional tal como surge definido na Lei de Bases do Património Cultural ou na própria Constituição?

Convite para Conferência de Imprensa de apresentação do Fórum do Património 2017

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A Comissão Organizadora tem o prazer de o(a) convidar a participar na Conferência de Imprensa de apresentação do “Fórum do Património 2017”, que decorrerá no dia 23 de janeiro (segunda-feira), pelas 15:30 horas, no Centro Nacional de Cultura1.

A apresentação do Fórum estará a cargo de Maria Calado (Presidente da Direção do CNC) e de Maria Ramalho (Presidente do Concelho de Administração do ICOMOS Portugal).

Para responder às perguntas das senhoras e senhores jornalistas estarão presentes os representantes das ONG que compõem a Comissão Organizadora2.

Será divulgado o programa preliminar do Fórum, seus objetivos, principais oradores, etc.

O “Fórum do Património 2017” realizar-se-á no dia 10 de abril, sendo convocadas todas as ONG com atividade no âmbito do Património Cultural Construído (PCC) para, em conjunto, debater o seu posicionamento face à influência crescente de grupos de interesse organizados setoriais e coordenar as suas estratégias com vista à salvaguarda do património cultural enquanto referência identitária e memória coletiva, em particular na sua vertente construída: grandes monumentos históricos, casas antigas senhoriais, património rural e industrial, aldeias tradicionais, bairros e centros históricos e paisagens culturais.

Serão também convidadas, como Entidades Observadoras, Universidades, Ordens e Associações Profissionais, Organismos Públicos, etc.

1) Centro Nacional de Cultura: Rua António Maria Cardoso, nº 68, Lisboa (Metro Baixa-Chiado).
2) Comissão Organizadora: GECoRPA - Grémio do Património (Coordenação), APAI - Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, APAC - Associação Portuguesa
dos Amigos dos Castelos, APCA - Associação Portuguesa das Casas Antigas e a APRUPP - Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do
Património, com o Apoio Institucional do ICOMOS - Portugal - Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios e do CNC - Centro Nacional de Cultura.


 Contactos para confirmação de presença:

João Carreira | 919 797 770 | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou Isabel Augusto | 214 120 868 | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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